sexta-feira, 11 de maio de 2012

O QUARTO

Essa tela me lembra a época em que eu dormia naquele quarto que mais parecia um sótão. Minha cama ficava bem desse jeito, colada na parede e, logo ali, uma janela. Tudo bem pequeno mas repleto de mim, dos meus planos, dos meus amores e dos meus sonhos confusos. O velho cômodo foi meu aconchego durante anos e me assistiu nua, de corpo e de alma, como um admirador que se põe na janela. Quando chorava, ele era quente como o colo de mãe e logo logo eu já tinha esquecido de tudo. Quando gargalhava, ele, com ajuda do espelho do armário, me refletia em mil e eu chegava a fazer poses das mais variadas me imaginando atriz de cinema. O meu quarto do sótão foi o meu melhor abrigo quando eu matava as aulas de inglês. Aquelas escada justa, que mal cabia o meu pé me levava para esse meu refúgio querido e lá eu me fiz moça com o passar dos anos. A cama, o armário, o criado-mudo e eu trocando sempre tudo de lugar de modo a reinventá-lo de todas as maneiras possíveis. O meu quarto é digno de minha admiração até hoje. Depois que fui embora, nunca colocou outra em meu lugar. Morreu de saudades minhas e levou com ele todo o meu universo juvenil.
(Esse texto é de minha autoria)
                                           Van Gogh - O quarto do artista

 

2 comentários:

Anônimo disse...

Seu quarto era o máximo!! Tb viu o meus amores, os meus sonhos confusos e as minhas gargalhadas...parece que to me vendo no espelho do armário, sentada na cama, de papo com vc revirando caixas de cartas e lembranças (já tínhamos tantas lembranças aos 16?? rsrs...) Tica

BLOGALU disse...

Época linda Tiquinha!